"Eu nunca soube escrever versos, o que digo são palavras do avesso e sentimentos incertos"...

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sábado, abril 21, 2012

Os Ciclos


Os dedos enlaçam horizontes a desbravar
Enquanto tuas mãos exploram planícies e montanhas
O silencioso rio corta os caminhos e deságua
Assume duas vertentes e depois seca.

Nasce a relva primitiva dos desejos em teu peito
E a ávida lembrança dos outonos prospera.
Os dois mundos olham-se então fixamente
E os rios calam-se no instante do beijo.

Dos seres tornar-se-á primavera
E sentirás a brisa em teus ombros
Serão de novo Lua e Terra

Serás senhor dos sonhos e amante
Pra influenciar o ciclo das águas
Serão de novo vales e serras.

domingo, abril 15, 2012

Mais uma de amor


Subitamente o sentimento puro e sublime tomou conto desse corpo.
E fez da letargia contaminosa, um passado breve e futuro vão.
Senti-me perdido entre os oceanos e a terra.
Senti-me sozinho; eu fui ilha e noite profunda.

Eram olhos negros e ternos da solidão a dois que tínhamos
Mas os mesmos permanecem inexatos, perplexos e parados em outra dimensão.
Era sorriso breve e amor puro, inocente o que sentíamos.
Foram enterrados junto à última flor da primavera.

Eu nunca fui bom com as palavras, nunca fui bom com nada.
Parece que até essa tentativa de versos se tornou confusas
E meus sentimentos inversos tão sem nexo e sem brilho
Quanto o meu amor e as nossas fotografias guardadas no fundo das minhas gavetas.