"Eu nunca soube escrever versos, o que digo são palavras do avesso e sentimentos incertos"...

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sábado, outubro 06, 2012

Singular


Conjuga-me em tempos verbais ainda não criados;
Em um presente mais que perfeito,
Em nosso futuro nem não tão distante,
De um passado mais que bonito.

Seja mais que imperativo,
Imponha a mim todos teus caprichos.
De forma subjetiva;
Queira o mar e o sol,
E eu te dou o infinito.

Seja apenas o hoje,
O amanhã,
E o sempre.
Seja sempre, apenas o hoje e o amanhã.
E que nas pessoas do singular,
Sejamos EU e você.
Nós dois; assim, no plural.

sábado, setembro 08, 2012

Atemporal


O abraço breve, quase fraternal.
O sorriso leve, de canto casual.
O aperto de mão doce, nada muito formal.
Olhar sereno, fora do normal.

Uma conversa branda, amigável e sincera;
Vem do tempo da espera e da árvore da vida,
Dessa que muita gente duvida ou gente dessas,
Que vive meia vida,
Ou vida essa,
Que só vive quem acredita,

O almoço no parque em um domingo ensolarado.
Os talheres em casa, todos alinhados.
Em vão todos os preparativos,
Comemos e saboreamos todos os aperitivos
Sem qualquer manual.

Uma volta em volta dos tempos de antiga;
Cantamos as músicas novas e também as velhas cantigas.
Dançamos os mesmos passos.
Nossos pés nunca pisam em falso,
Mas falseiam em pisar no quente do asfalto,
Nossos quentes corações nunca estão cansados.

Um beijo apaixonado do jovem casal
Tão apaixonado quanto o das bodas de coral
E coral da praça; toda a gente e toda a massa.
A se beijar e a beijar seus filhos, seus maridos,
Seus amigos; tão queridos.
E a celebrar o amor
Um eterno ritual.

domingo, agosto 05, 2012

Penúria


Daquele que não é teu.
Ao mesmo tempo em que teu és, ou foi
Aquele instante já passado.

Não somos donos de ninguém,
Não pertencemos a nós mesmos;
Somos o canto perdido dos pássaros.
Os passos dos compassos, e os sonhos perdidos no espaço,
De um tempo sem fim, sem meio e sem começo.

Somos todos viajantes solitários,
Que andam nessa estrada, a ilusão de que estamos acompanhados,
Sem sombra, sem luz e sem sol.

Deixamos pegadas que se apagarão do retrato
Colorimos amores que acabarão desbotados
Insinuamos sorrisos, pra enfim, sorrir ensaiado.

Diz-me o que importa nesse grã espetáculo,
 Imponha a mim os teus tratos.
Descobre da luz, do véu e da lua,
A certeza de que nada mais somos
Que um breve colapso.

quinta-feira, julho 19, 2012

Redenção


Dispo-me dos meus medos e meus orgulhos
Livro-me dos meus males e maus ocultos
Esvazio minha mente do que não é puro
Esqueço-me do passado, já não prevejo o futuro.

Vejo um horizonte de céu sempre claro
E o vento de outono varre as folhas do chão
Vem à minha mente o azul mar, azul lago
E seu rosto no meu coração

Perdoo-me dos meus pecados,
Não sou o mesmo de tantos erros
E dos planos fracassados

Mas ainda amo teus olhos que são meu mundo.
É meu presente e meu mistério.
É o meu nada, é o meu tudo.

domingo, julho 08, 2012

Perfeição


Eu não sou mais um;
Não sou o de antes,
O agora me mudou.
Esperam a primavera,
As folhas deixadas no quintal.

O amor, personagem tão inventivo,
Não faz mais parte do imaginário,
Agora é real!
Como a insensatez de amar.

Mas,
Eu amo tuas mãos macias e teus cabelos soltos.
O brilho do sol em teus olhos,
Eu amo.
Amo os lábios dos beija-flores, mel eterno,
E o peito do meu amparo.

Eu quero o tempo se puder ser um segundo teu,
Aceito o segundo, se eu for o único.
Não aceito metade, sobras ou restos,
Eu amo por inteiro.

Eu quero a dor, se quiser me machucar,
Ou mesmo a saudade, nesse breve desencontro.
Aceito as mentiras, se foram sinceras
E também a verdade, se for a nossa.

Eu quero ser plural,
Assim; nós dois, hoje e sempre,
Ou nunca,
Caso isso seja tão perfeito,
Que nunca possa ser real.



sexta-feira, junho 08, 2012

Meus passos


Dizem quem tenho que ser e o que tenho que fazer.
Falam o ritmo a seguir, o que falar, o que usar.
Apontam aonde ir, com quem ir.
Desenham o rascunho meu; quem devo me tornar.

Mais não aceito, nunca fui igual, nunca fui moldável.
Ninguém consegue controlar o tempo, nem meus pensamentos.
Pode aprisionar meu corpo no seu mundo,
Fazer feridas que nunca fecharão,
Pode me acorrentar, torturar e me obrigar.


Meu corpo é humano e fraco, frágil.
Às vezes não o consigo controlar;
Mais minha mente me impele a um mundo que ninguém ousa entrar,
Um lugar onde ninguém consegue violar, ninguém pode corromper.

E se perde na obstinação de fazer igual,
Aqui dentro eu sei quem está.
Nunca serei comum, não nasci pra ser.
Eu sei

E se a vida é um ritmo de dança,
Mesmo que digam os passos;
Por pirraça crio meu próprio compasso;
Fecho os olhos, não me importo com o mundo.
E danço feito criança...


sábado, abril 21, 2012

Os Ciclos


Os dedos enlaçam horizontes a desbravar
Enquanto tuas mãos exploram planícies e montanhas
O silencioso rio corta os caminhos e deságua
Assume duas vertentes e depois seca.

Nasce a relva primitiva dos desejos em teu peito
E a ávida lembrança dos outonos prospera.
Os dois mundos olham-se então fixamente
E os rios calam-se no instante do beijo.

Dos seres tornar-se-á primavera
E sentirás a brisa em teus ombros
Serão de novo Lua e Terra

Serás senhor dos sonhos e amante
Pra influenciar o ciclo das águas
Serão de novo vales e serras.

domingo, abril 15, 2012

Mais uma de amor


Subitamente o sentimento puro e sublime tomou conto desse corpo.
E fez da letargia contaminosa, um passado breve e futuro vão.
Senti-me perdido entre os oceanos e a terra.
Senti-me sozinho; eu fui ilha e noite profunda.

Eram olhos negros e ternos da solidão a dois que tínhamos
Mas os mesmos permanecem inexatos, perplexos e parados em outra dimensão.
Era sorriso breve e amor puro, inocente o que sentíamos.
Foram enterrados junto à última flor da primavera.

Eu nunca fui bom com as palavras, nunca fui bom com nada.
Parece que até essa tentativa de versos se tornou confusas
E meus sentimentos inversos tão sem nexo e sem brilho
Quanto o meu amor e as nossas fotografias guardadas no fundo das minhas gavetas.

sábado, março 24, 2012

Angústia


Tenho medo de deixar pra trás
Tudo o que eu fui,
Por receio do que possa me tornar.

Tenho temor dos sentimentos
E de sentir algo novo
Que não vou conhecer
Pra não me machucar.

Tenho saudades de pessoas,
De lugares.
Que eu nunca vou sentir falta
Porque nunca os conheci.

Tenho vontade de sabores
Que minha boca não conhece
Porque nunca quis provar
Pra nunca me lembrar.

Tenho sonhos impossíveis
Que nunca os quis sonhar
Por serem impossíveis.

Tenho vivido meia vida
Que nunca foi real
Angustiado com meu fim
Que não sei quando vai chegar


domingo, março 18, 2012

Desvaneio





Diz o que sou e nada me diz
O que eu preciso e o que quero;
Me fala o que e o porque.

É fácil desvendar outras cenas de filmes já vistos
E aprender uma nova música.
São cores difusas e turvas no monocromático universo.

Não existem legendas, manuais ou roteiros.
sem fórmulas, sem nexo ou erros.
Amar e amor são verdades distintas.

Chega de invenções ou curas
Para pecados não cometidos
Chega de desespero.

O que eu quero, preciso ou sou.
Você realmente não sabe,
E se eu disser que sei;
É puro desvaneio. - Bruno Ot.

Sentimento Exato


Eu quero um espaço só meu,
Pra escrever meus sentimentos
Um lugar que o tempo não tenha poder
Nem mesmo o vento

Eu quero ser apenas expectador
E analisar os fatos.
Para olhar minha alma por fora, lá do alto.

Poderia ser outros
E me julgar pela aparência
Falar deste ser em terceira pessoa
E dar conselhos não pedidos
Ultrajados pela minha essência

Achar monótono esse ser equivocado
Sutil, artificial e errado.
Seria tão mais fácil apontar meus defeitos
Dessa linha tênue entre egoísmo e meus conceitos

Quero mesmo é sentir as emoções que não estão no dicionário.
Preencher o vazio da ausência.
Correr livre com pés descalços

Eu quero a intensidade da dor
Se o ferimento me fizer alguém melhor
Sofrer a mesma intensidade que causar
Pra me sentir limpo.

Eu não quero ser amor singular
Amar é em toda dimensão da palavra
Conjugado em todos os tempos verbais
De Forma intransitiva... Direta
Não importa quem, porque ou como.
Mas simplesmente: Amar de todas as formas
E ser amado na mesma intensidade do amor que eu causar. Bruno Ot

quarta-feira, março 14, 2012

Reflexo


Tento achar quem eu sou no espelho
Mas ao me olhar, não me vejo.
Dentro do passado de uma desbotada fotografia
Ainda sou o ser que ali habita.


Obstinado com o tempo;
Eu não fujo,
Não saio dos meus próprios pensamentos.
Sou feito de momentos
Também sou as escolhas erradas
Tenho sentimentos estranhos
E digo palavras entrecortadas
É que eu sou o amor reprimido.
E o abraço frouxo.
Eu sou o beijo amargo e o sorriso tímido

Sou o medo.
É, esse eu sou.

Mas ao olhar no espelho.
Aqueles olhos que me olham
São os mesmos que realmente não me veem
São reflexos de quem sou.
Que não podem refletir eu mesmo;
Inevitável;
Assim como eu ser apenas esse ser:
Metamórfico imutável.